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domingo, 17 de abril de 2016

sábado, 13 de fevereiro de 2016

Oportunidade e Capacidade

O editorial do Jornal impresso O Povo de 25/01, do estado do Ceará, na p. 12 é realmente louvável. 

No entanto, um único deslize foi cometido, no fechamento: 

"Na verdade, só os mais capazes é que chegam lá".

Convenhamos, capacidade e OPORTUNIDADE nem sempre estão juntas.

O Brasil, reconhecidamente, desperdiça de forma desesperadora diversos talentos (entenda-se aqui como pessoas "capazes"). E o principal motivo desse desperdício é a brutal desigualdade social em que vivemos. Dizer que é "mito que somente os ricos conseguem chegar lá" é mostrar uma visão simplista de nossa sociedade.

Os que possuem recursos "chegam lá", para usar a expressão do editorial, porque para eles sempre estão disponíveis diversas oportunidades. Quanto aos menos favorecidos, quando a eles é oferecida alguma oportunidade, e não apenas a aparência de uma oportunidade, quase sempre conseguem tirar proveito desta. Mas cabe uma reflexão sobre o que é de fato uma oportunidade.

A oportunidade verdadeira precisa vir acompanhada de alguns itens básicos, como horário livre para estudar, material didático apropriado, acesso a um ambiente favorável aos estudos, alimentação adequada.

Essas coisas, por mais banais que possam parecer para alguns, podem ser impossíveis de se obter para tantos outros.

Antes de culpar a família por não oferecer esses itens aos seus filhos, vamos tentar identificar quais foram as oportunidades que estiveram diante dessa família ao longo dos anos. Que educação foi dada aos seus pais? Quais são suas opções de renda? Qual o nível de acesso à cultura que lhes é oferecido? Qual a qualidade dos serviços de saúde que lhes estão disponíveis? Qual é o seu nível de segurança alimentar?

Quando vejo alguém tentar simplificar os nossos problemas sociais atávicos, como é o da educação, lembro-me de uma charge que vi, em 2015, no prédio da Receita Federal na cidade de Fortaleza, capital do estado do Ceará. 

A charge mostra, em dois quadros, três garotos tentando ver um jogo por cima de uma cerca de madeira. Um dos garotos é mais alto que a cerca e poderia ver o jogo sem nenhum artifício. Outro, da altura da cerca, precisa de um caixote para ver o jogo. E o terceiro, mais baixo que a cerca, de modo que nem com um caixote consegue ver o jogo. O conceito de igualdade é dado, no primeiro quadro, pelo fato de os três garotos estarem cada um sobre um caixote. Concordo, isso é igualdade. Mas, no segundo quadro, o garoto mais alto aparece sem caixote, o segundo continua com um caixote, e o terceiro aparece com dois caixotes, de modo que agora os três podem assistir ao jogo. Conclusão: isso é justiça. O objetivo da charge é estabelecer a diferença entre os conceitos de igualdade e de justiça. Na igualdade, todos são colocados nas mesmas condições, independentemente de suas individualidades. Na justiça, as individualidades são consideradas.

Um exemplo disso é o tempo extra no ENEM concedido a candidatos diagnosticados com dislexia. As cotas para alunos oriundos de escolas públicas também. Neste caso específico, não se está admitindo uma qualidade de ensino inferior das escolas públicas, como muitos acreditam. Muito menos uma "capacidade" inferior desses alunos. O que se está reconhecendo é a qualidade das condições de aprendizagem desses alunos. Muitos deles precisam trabalhar já no ensino fundamental, por exemplo. Outros, dispõem apenas da própria escola como ambiente com as condições mínimas de estudo, e somente no próprio turno de aula. E aí é que podemos dizer que a ideia do Senador Cristovam Buarque e do saudoso Leonel Brizola sobre escola de tempo integral seria um divisor de águas para a educação de nossas crianças. Acho que podemos adicionar à lista a dificuldade de acesso e estabilidade de acesso a alimentos por muitos desses alunos. Outras diversas dificuldades podem ser listadas pelos próprios estudantes.

O raciocínio simplista faz afirmações bobas como "só depende de você", "querer é poder", etc, que são muito boas para campanhas de marketing multinível, por exemplo. Mas pessoas sérias costumam encarar os problemas com a sua complexidade real, afastando as fantasias que servem apenas para mascarar suas verdadeiras raízes.

segunda-feira, 11 de janeiro de 2016

Denúncia do JN contra médicos

Segundo o Jornal Nacional, edição de 11 de janeiro de 2016, médicos do sistema público no Rio de Janeiro estariam participando de um esquema relacionado às escalas.

Médicos cujos nomes constavam no plantão de 24 ou 12 horas, sequer pisavam no local de trabalho.

Também havia casos de escala duplicada, isto é, o mesmo médico escalado em dois plantões simultâneos.

Um médico denunciante informou, na reportagem, que o valor desses plantões variava entre R$ 1.500,00 e R$ 2.500,00.

Imagino um desses médicos praguejando contra ladrão de rua, por exemplo. Talvez pelo fato de o ladrão de rua não ter estudado tanto para aprender a roubar de forma tão sofisticada.

domingo, 10 de janeiro de 2016

Os Números Bons do Brasil

Para além dos números, é possível notar uma mudança para melhor na dimensão social no Brasil (Blog.Planalto). Apesar das muitas críticas aos métodos utilizados para definição da chamada linha da pobreza, e da inserção de determinada faixa da população na classe média tendo por base a renda como fator determinante, o país conseguiu manter aumentos reais no salário mínimo, diminuiu as desigualdades, mesmo que timidamente e deu mais condições de inserção social a segmentos que já enfrentaram séculos de exclusão.

O índice Gini - criado por Corrado Gini - diminuiu de 0,570 para 0,517. Esse índice mede a concentração de renda dentro de um grupo. O número 1 significa que somente uma pessoa fica com toda a renda do grupo, sendo o valor zero a situação em que todos têm a mesma renda.

Na prática, isso significa que a renda está melhor distribuída. Portanto, deveria haver mais pessoas com um parte maior da renda, daí, mais possibilidade de consumo, o que deveria gerar mais necessidade de produção, o que deveria resultar em mais empregos.

Mas, nem tudo funciona como esperado.

A corrupção deixou de ser invisível e tornou-se aparente.

A seca esticou-se e espalhou-se por partes do país onde não era de costume.

O preço do petróleo caiu, caiu de novo... e depois mais uma vez.

Os preços subiram de forma generalizada mais alto do que esperávamos.

A indústria encolheu.

O mercado de veículo, antes opulento, agora vai usar o cinto de segurança.

A mídia não para de alardear um cenário catastrófico, aparentemente mais por interesses políticos do que por compromisso com a nação.

Mas, parafraseando Érico Veríssimo, as estrelas estavam no céu antes dessa crise, e quando essa crise passar as estrelas ainda vão estar lá.

terça-feira, 5 de janeiro de 2016

Concurso do INSS 2016

Para uma boa preparação é obrigatória a leitura do edital de abertura do concurso. Isso você pode fazer online na página do Cespe no seguinte link: www.cespe.unb.br/concursos/INSS_2015/arquivos/INSS_ED._1_ABT.PDF.

A segunda coisa a fazer é ORGANIZAR o horário de estudo e SEGUIR-LHE RIGOROSAMENTE.

No edital você vai encontrar o valor da inscrição (R$ 80,00 para analista com formação em SERVIÇO SOCIAL e R$ 65,00 para nível médio), o programa de estudo que para nível superior com formação em SERVIÇO SOCIAL é a seguinte:
  1. Língua Portuguesa;
  2. Raciocínio Lógico;
  3. Noções de Informática;
  4. Direito Constitucional;
  5. Direito Administrativo;
  6. Legislação Previdenciária;
  7. Legislação da Assistência Social, Saúde do(a) Trabalhador(a) e da Pessoa com Deficiência;
  8. Serviço Social.
E para nível médio:
  1. Ética no Serviço Público;
  2. Regime Jurídico Único;
  3. Noções de Direito Constitucional;
  4. Noções de Direito Administrativo;
  5. Língua Portuguesa;
  6. Raciocínio Lógico;
  7. Noções de Informática;
  8. Seguridade Social.
Acha muito extensa a lista de assuntos para estudar? Bom, mesmo que você ainda não tenha iniciado sua preparação, ainda dá tempo de se preparar. Muita gente estuda um assunto vários meses antes e, próximo ao concurso, já esqueceu, e não está com tanta vantagem assim sobre você.

E ainda, a lei que institui o Estatuto da Pessoa com Deficiência é de julho de 2015. Além desta, há outras leis que sofreram alterações recentemente. Então, não motivo tem para desanimar.

A banca que está organizando o concurso é a CESPE, e as questões são do tipo CERTO ou ERRADO, valendo 1 ponto positivo se sua resposta coincidir com o gabarito e 1 ponto negativo se divergir. Caso sejam marcadas as duas opções para o mesmo item, isto é, C e E, àquele item será atribuída nota zero.

Alguns candidatos são tentados a marcar um item mesmo sem saber nada sobre aquele item. Em provas deste estilo isso não é recomendado.

Segundo o edital, será eliminado o candidato que se enquadrar em um dos itens:

a) obtiver nota inferior a 10,00 pontos na prova objetiva de Conhecimentos Básicos P1;
b) obtiver nota inferior a 21,00 pontos na prova objetiva de Conhecimentos Específicos P2;
c) obtiver nota inferior a 36,00 pontos no conjunto das provas objetivas.  

Então, fica claro que marcar sem estar seguro do item somente valeria a pena se o candidato tivesse marcado menos de 10 questões na prova de conhecimentos básicos, ou menos de 21 na de específicos, ou, ainda, menos de 36 itens somando as duas provas.

Não vou arriscar um palpite sobre o número de pontos que você deve fazer para ficar dentro das vagas do concurso, porque isso depende de vários fatores. Mas lembre-se de que você irá responder a 50 questões de Conhecimentos Básicos e 70 de Específicos. Não encontrei a quantidade de itens por disciplina no edital.

Material na internet tem muito, inclusive as leis previstas no edital. Algumas são bem curtas, outras nem tanto. Um site confiável para ver as leis é o http://www4.planalto.gov.br/legislacao. Nele é possível fazer uma pesquisa incluindo o número da lei e o ano.

O último lembrete é que você vai fazer uma prova escrita, então, treine para fazer prova escrita.



quinta-feira, 31 de dezembro de 2015

Brazil's fall: e feliz ano novo!

A revista The Economist publicou reportagem de capa sob o título "Brazil's fall", com previsões catastróficas para o Brasil. Lá eles falam da crise política e econômica, da burocracia, da corrupção, do impeachment.

Bom, fui ler os comentários e achei o seguinte:

"
guest-nwnloii
I am British, (...) The problem with Brazil is the Brazilian people."

A frase final é impagável. "O problema do Brasil é o povo brasileiro". Taí então a solução genial deste simpático senhor: vamos retirar todo o povo brasileiro daqui e trazer pra cá outro povo, quem sabe o britânico. Aí, na falta de uma áfrica e de uma Índia para espoliar, talvez se possa encontrar um outro lugar de onde se roubar ouro, por exemplo, e tornar-se uma grande potência.

sábado, 5 de dezembro de 2015

O Gato de Botas - Um Gangster Peludo

O conto "O Gato de Botas", de Charles Perrault, conta a história de um gato comum que se tornou um notável mafioso.

Tudo começa quando o gato descobre que seu dono, falido, sem ter o que comer, cogita em comer o próprio gato. Logo o gato bola um mirabolante plano e de imediato o põe em ação.

"Dê-me um saco e me calce um par de botas", disse o gato ao seu dono, prometendo resolver todos os seus problemas.

Como se trata de um conto, os animais são personificados e por tanto mostram sentimentos e comportamentos humanos. A primeira atitude do gato foi coletar algumas ervas muito atraentes para coelhos. Depois, foi para um local onde os coelhos costumavam frequentar e deixou o saco semiaberto para que o cheiro das ervas atraísse os coelhos. Ficou perto do saco fingindo-se de morto. Uma jovem e inexperiente coelha, acreditando que o gato estivesse morto, entrou no saco para comer as irresistíveis ervas. Assim que a coelha entrou, o gato saltou sobre ela e a matou.

O Gato de Botas, então, levou a coelha como presente de seu amo, um tal de "Marquês de Carabas", para o rei. Claro que nunca existiu até aquele momento um tal senhor, muito menos o presente havia sido mandado de fato para o rei. Tratava-se de pura falácia e bajulação com um fim bem determinado pelo gato.

Depois de alguns dias sendo bajulado, o rei já sentia alguma estima pelo gato e pelo seu senhor, o tal "Marquês de Carabas", inventado pelo gato. Avisou então o rei ao gato que iria passear pela margem do rio do reino na manhã seguinte. Era a oportunidade que o Gato de Botas precisava para dar sua cartada final.

"Você precisa entrar no rio e fazer exatamente o que eu disser", avisou ao seu dono. No dia seguinte, o gato e seu dono foram para o rio e fizeram como combinado. Quando o rei se aproximou, o gato começou a gritar "socorro! socorro! o senhor marquês de Carabas está se afogando!". O rei reconheceu o gato na hora e recordou o senhor que tantos presentes de caça o enviou. Ordenou então aos seus guardas para que o salvassem. "Os ladrões levaram as roupas do senhor Marquês de Carabas", disse ao rei o gato. O rei mandou que lhe fossem dadas roupas adequadas. Generoso e grato pelos supostos presentes, o rei convidou o dono do gato para subir na carruagem e seguir com eles em passeio pelo reino.

O Gato de Botas corre a frente da carruagem e comete mais uma maldade: "se vocês  não disserem que essas terras são do senhor Marquês de Carabas, vocês serão todos mortos!", ameaça ele os pobres camponeses que lavravam a terra.

De propriedade em propriedade, o rei perguntava de quem eram aquelas terras e seus camponeses diziam: "pertence ao senhor Marquês de Carabas", obviamente e justificadamente com medo da ameaça do gato.

Mas, o pior ainda estava por vir.

Você sabia que muitas coisas ruins já aconteceram a muita gente por causa da vaidade. A vaidade conduz a muitos perigos. Por vaidade, muitas pessoas perderam tudo o que tinham: família, amizade, dinheiro, saúde, e até a vida.

Um ogro que vivia no reino, e que era muito rico (ele era o verdadeiro dono das terras que o gato fez crer ao rei serem do "marquês de Carabas"), sofria de vaidade. O gato sabia disso e resolveu apostar suas últimas fichas na vaidade do ogro. Primeiro diz ao ogro que não poderia passar pelo seu castelo sem cumprimentar-lhe e prestar-lhe honras, pois ouvira falar que o mesmo tinha grandes e admiráveis poderes.

"Dizem que você pode se transformar em qualquer animal, um leão, um elefante!", interpela o gato. "É verdade!", confirma o ogro. E para provar que era verdade, ele se transformou em um leão, bem diante dos olhos do gato. O gato se mostra assustado, mas é claro que era puro fingimento.

"Dizem ainda, que você só não pode se transformar mesmo em pequenos animais, por exemplo, um rato ou um camundongo para você é impossível", diz o gato com um tom desinteressado. O ogro então, tomado pela vaidade, retruca: "impossível?! pois vou te mostrar!".

Assim que o ogro tomou a forma de um camundongo, o gato atirou-se sobre ele e o matou.

Depois o gato se dirige para a porta do castelo e recepciona o rei dizendo: "bem-vindo ao castelo do senhor Marquês de Carabas!".

O rei, acreditando em todas essas mentiras, dá a mão de sua filha ao dono do gato.

O Gato de Botas se torna um reconhecido senhor no reino e passa a caçar e matar coelhos apenas por diversão.

Esse conto vem sendo lido e representado em filmes, peças teatrais, etc, de geração a geração, mostrando o gato como alguém genial, obrigando-nos a reconhecer que os perversos, quando atingem o sucesso, são tratados como heróis.