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terça-feira, 26 de abril de 2022

O Dia em que a Vaidade Encontrou-se com a Arrogância

 A vaidade estava sentada a uma mesa redonda, num café, na praça do Ferreira, no tempo em que os cafés vendiam café e que era normal tomar um cafezinho olhando para quem passasse. Chegou-se à mesa a arrogância.

- Vejo que toma um café ordinário, provavelmente o mais barato da casa e só o toma porque deve ter juntado dinheiro durante toda a semana.

- Ora, mas de onde vem essa criatura tão esnobe?, que nada tem além de um enorme ego e pensa que é mais importante do que qualquer outra criatura sob o sol. Parece que não tem espelho…

A arrogância torceu o nariz, olhou em volta e decidiu-se por sentar-se, fazendo um ângulo de 120 graus em relação à sua interlocutora.

A vaidade mexeu os ombros e as pernas, tentando encontrar uma posição mais confortável, se é que era possível se sentir confortável diante da arrogância.

- Não tenho de dar satisfação de onde venho, mas sim de onde estou e para onde vou. E estou numa posição superior a sua, com certeza, mas ainda vou superá-la de mais largo ainda. Pode ter certeza!

- Se não falei ainda, não ando competindo com qualquer ser, principalmente se esse ser for insignificante diante de toda a minha estonteante beleza! Sim, porque sou bela em exagero, que até me admiro de mim mesma, vendo-me no espelho como a coisa mais perfeita que já existiu na face da Terra. Ninguém supera a minha beleza.

- E por que está você aqui, sozinha, tomando um reles café, sem ninguém que a ame de verdade?

A vaidade tomou um grande gole de café, para fingir o constrangimento de não ter explicação para a sua solidão, para a sua falta de um amor verdadeiro, para a ausência de alguém que se importasse com ela de verdade.

- Vamos, eu espero você tomar todos os litros de café do mundo, mas me responda: por que uma pessoa tão bela, como você diz, tão impressionantemente bela e insuperavelmente bela, está sozinha, ou tem apenas as marcas de várias mãos pelo corpo, usada e descartada como se nada fosse?

- Inveja! Você tem apenas inveja da minha beleza, porque se acha inteligente, acha que tem bens materiais suficientes para viver melhor que a maioria dos seus pares, acha que conquistou tanta coisa, mas no fundo, no fundo, não passa de uma criatura insegura e incapaz de amar.

A arrogância levantou o nariz e ensaiou dizer algo, mas a vaidade continuou:

- Isso mesmo, não adianta fingir. Você é um ser incapaz de amar qualquer outro ser. Aliás, não ama nem a si, pois essa pinta de superior é apenas uma máscara para disfarçar a sua indiferença consigo mesmo.

- Como ousa dizer que não sou capaz de amar? Claro que me amo! E com razão, aliás a razão é a própria razão, se é que me entende, pois você gasta tanto tempo lambendo essa beleza diante do espelho que pouco tempo há para cuidar da mente…

- Você se achar superior em inteligência, não quer dizer que outras criaturas também não sejam inteligentes. Você se ver como bem-sucedido, não significa que os outros são malsucedidos. Tão inteligente, mas não percebe o óbvio…

A arrogância levanta o queixo e solta ar, com força, pelas narinas. A vaidade se distrai olhando para as unhas e se pergunta baixinho se aquela cor está combinando mesmo com sua roupa.

- Você não percebe a insignificância do que julga o mais relevante! Por isso mesmo, nunca será amada de verdade! Viverá na eterna agonia de não achar ninguém que seja digno do que chama de beleza insuperável. Pobre vaidade… Morrerá na solidão, imaginando como seria a vida, se tivesse sido um pouco menos exigente com os outros e vivido um amor verdadeiro.

A vaidade esquece as unhas nesse momento e encara a arrogância.

- Você não pode amar, porque não achará ninguém no seu nível, em todos os sentidos que se vê como melhor. Eu não serei amada porque sou fútil e fugaz. Mas esses são os nossos problemas. Quando você se sentou aqui, achei que fosse me dar alguma solução.

O tempo, que estava na mesa ao lado, interveio:

- Não se preocupem, já ensinei a tantos, piores do que vocês… Ensinarei também a vocês.

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domingo, 8 de novembro de 2020

As Lições de Violino

 Por Marcos Pinnto



Em alguns logradouros, vizinhos costumam ser testemunhas auditivas de muitas ocorrências da casa ao lado, sejam elas produzidas em momentos de euforia, de raiva… ou em momentos mais íntimos, em alguns casos.

Num desses lugares, uma moça com idade entre 20 e 25 anos decidiu aprender a tocar violino. Pegou parte de suas economias, matriculou-se numa escola e comprou o melhor violino que podia comprar com seus recursos.

Talvez você não saiba, mas aprender a tocar violino leva algo em torno de cinco anos, dependendo da pessoa. E, no início, são inacreditáveis os sons terríveis que alguém pode produzir com um instrumento como esse.

Claro que os dois vizinhos mais próximos, de um lado e de outro, seriam os mais afetados pela decisão da jovem. Teriam de suportar horas de treinamento da moça por um longo tempo.

Um dos vizinhos tentou dissuadir a moça de aprender a tocar aquilo. Reclamava todos os dias com quem encontrasse pela rua. Viu que aquilo não teria jeito e se aborreceu a ponto de vender sua casa e comprar outra em um lugar mais sossegado.

O outro vizinho também sofria com os arranhões nas cordas do violino, mas, ao contrário do outro, incentivava a aprendiz a dedicar-se mais, a treinar mais horas por dia, a prestar mais atenção nas aulas de violino.

Anos depois, a jovem, agora com quase trinta anos, começava a se apresentar profissionalmente e, todos os dias, seus vizinhos tinham o prazer de ouvi-la tocar, num espetáculo quase particular.

Esse caso mostra que, em certos momentos, podemos escolher entre desistir de uma pessoa ou tolerar suas falhas enquanto lhe ajudamos a evoluir. Pois, tolerar é ter a certeza de que o outro está em evolução.

quarta-feira, 18 de março de 2020

Cuidado com as pessoas que querem muito te ajudar

De vez em quando, me vem à cabeça uma piada que vi encenada pelo grande Didi Mocó Sonrizá Colesterol Mufumo e sei mais lá o quê.
Um cara parado sob uma árvore em uma praça onde passavam muitas pessoas com uma mala cheia de livros lacrados com a capa: DESCUBRA COMO SAIR DA CRISE.
Se não for isso, era algo com o mesmo sentido. O importante era a mensagem da piada.
Ao final do dia, tendo vendido TODOS os livros e com a mala cheia de dinheiro, vem um comprador do começo do dia e reclama com o vendedor dizendo que aquele livro está todo em branco, que não ensina ninguém a sair de crise coisa nenhuma.
É aí que o vendedor revela o truque: "meu amigo, eu descobri como sair da crise. Agora descubra você".
Sempre que alguém oferecer uma fórmula mágica para ganhar dinheiro, obter sucesso, etc, DESCONFIE.
Em geral, essas pessoas só querem o seu dinheiro. Se o que eles te ensinarem vai servir para alguma coisa... Bom, isso vai ser problema exclusivamente seu.
Então, fique vigilante! Há milhares de pilantras espalhados pela internet, prontinhos para abocanhar o seu dinheiro.
Até breve!