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sábado, 30 de janeiro de 2021

Eu, Avaliador

 Sempre que me presto ao papel de avaliador, seja de um produto, serviço, candidato, etc, pergunto-me primeiro: tenho algum envolvimento emocional com o ente avaliado?


Se a resposta for sim, tenho certeza de que meu julgamento estará prejudicado e, por razões éticas, abstenho-me de proceder à avaliação.

Uma avaliação influenciada pela emoção não é apenas ruim para o ente avaliado, como também para os que farão uso dessa avaliação e ainda para o próprio avaliador.

Um avaliador guiado pela emoção facilmente se desvia da razoabilidade, promovendo ou depreciando de forma irresponsável o ente avaliado.

Se tem sentimentos positivos em relação ao avaliando (seja um produto, um serviço ou uma pessoa), elevará seu valor. Ao contrário, se são negativos, depreciará o avaliando.

Dessa forma, a avaliação equivocada pode levar outros a tomarem decisões igualmente equivocadas, como comprar um produto ou serviço ruim, deixar de comprar um produto ou serviço bom, contratar um profissional com habilidades aquém do esperado ou deixar de contratar um profissional com habilidades além do desejável.

O avaliando é prejudicado por perder a chance de entender suas fragilidades e trabalhar sobre elas, quando é erroneamente supervalorizado, ou perder uma oportunidade, quando seu valor é diminuído com base na emoção do avaliador e não nos fatos.

Por último, o avaliador se prejudica, pois outros avaliadores o porão sob suspeita, até que todos descubram a predominância de suas emoções sobre seus julgamentos e a sua credibilidade desapareça.

Outra pergunta importante é: quem sou eu para avaliar esta pessoas, este produto ou serviço? Neste caso, verifico minhas qualificações (técnicas, científicas, etc). Por exemplo, quando avaliado um livro, sei que sou um bom leitor e tenho um histórico de leitura de milhares de páginas de todos os gêneros mais conhecidos. Se é um texto de matemática, verifico se tenho expertise naquela área especificamente. Se for uma máquina, preciso saber qual é o meu nível de entendimento técnico daquilo, e assim por diante.

Sem essa verificação, não estarei avaliando, mas simplesmente emitindo uma opinião, provavelmente sem nenhuma base que mereça a credibilidade de uma avaliação.

Portanto, se você vir uma avaliação minha por aí, seja de produto, serviço, etc, saiba que ela é a mais justa que foi possível naquele momento.

Um abraço! E até breve!

quarta-feira, 4 de novembro de 2020

Minha Opinião sobre Opinião

 Por Marcos R Pinnto*

Eu tenho certeza de que a opinião do outro é importante, pelo menos para ele próprio. E na maioria das vezes, essa opinião tem um forte motivo para existir. O problema que vejo é quando os motivos fortes são simplesmente a admiração por outra pessoa.

Ter admiração não é ruim. Pelo contrário, é muito bom admirar alguém. Mostra o quanto somos capazes de reconhecer os pontos fortes de uma pessoa. Mas, não é por isso que devemos copiar as opiniões da pessoa admirada e assumir que são nossas opiniões, sem nenhum fundamento.

Outra ocorrência não muito incomum é a opinião que se apoia em pontos contraditórios ou carregada de ambiguidades. Sabe aquela opinião que tem muitas exceções para ser? Ou ainda, aquelas opiniões que simplesmente são contrárias à nossa experiência ou ao raciocínio lógico.

O caso da opinião que se apoia em pontos contraditórios pode ser exemplificado de forma exagerada pela seguinte construção: “eu sei que todo gato é um felino, mas esse gato não é um felino”. Essa é uma opinião que usa um argumento que contradiz a afirmação de que o gato não é um felino. Além disso, a nossa experiência é desconsiderada pela afirmação.

Um caso de contrariedade do raciocínio lógico pode ser visto na seguinte construção: “no meu relacionamento, a vontade do outro é sempre respeitada”. Aqui não importa vontade de quê. Só haveria esse respeito se as vontades fossem iguais. Se as vontades são distintas, uma das duas está sendo afrontada. É óbvia a falta de lógica na afirmação, provavelmente dita com a intenção de amenizar a verdadeira mensagem que, provavelmente seria: se um dos dois não quer, os dois não fazem, seja lá o que for que queiram ou não fazer.

Se você prestar atenção, em muitos discursos, perceberá que muita gente fala de cadeira e de assento como se fossem dois sistemas avessos, cita trechos de especialistas renomados para confirmar sua opinião e prova, por a+b, que sua opinião está bem fundamentada. Pura falácia.

Mesmo assim, você, como bom ouvinte, deve respeitar a opinião do outro. Não importa o quanto estapafúrdia ou hilária ela pareça ser.


Um forte abraço e até breve!




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* Doutor e mestre em Engenharia Civil (recursos hídricos), especialista em EaD, professor de matemática, estudante de Cinema.